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The Best Loser Wins: trading como atividade de alta performance
Uma análise educacional de The Best Loser Wins(O melhor perdedor vence), de Tom Hougaard, explorando o trading como atividade de alta performance. O post discute perda, execução sob pressão, medo, ganância e as diferenças entre esse perfil de trader e o modelo clássico apresentado por Mark Douglas.
PSICOLOGIA & DISCIPLINA
Robinson A. Lemos | Forex17
1/14/20264 min ler


Introdução
O livro The Best Loser Wins, de Tom Hougaard, costuma ser apresentado como uma obra sobre aceitar perdas no trading. Essa leitura não está errada — mas é superficial.
O que Hougaard realmente descreve é um modo de operar baseado em alta performance, muito mais próximo da lógica de um atleta profissional do que da de um trader em busca de conforto emocional, neutralidade ou previsibilidade psicológica.
Não é um livro sobre “sentir menos”. É um livro sobre executar melhor, mesmo sentindo.
Perder não é fracassar — é operar
Em The Best Loser Wins, a perda não aparece como algo a ser evitado a qualquer custo, nem como um trauma psicológico a ser superado. Ela é tratada como um evento operacional esperado, parte natural do processo.
Perder não significa errar como pessoa. Significa apenas que uma hipótese não se confirmou. Esse enquadramento muda completamente a relação do trader com o mercado. O problema deixa de ser “como lidar com a frustração” e passa a ser: como executar corretamente quando a perda aparece?
Medo e ganância: inevitáveis, não patológicos
Hougaard é direto ao afirmar que, no fim das contas, muitas decisões ruins no trading são movidas por medo ou ganância. O medo aparece quando o trade anda a favor e o operador sai cedo demais, quando o stop se aproxima e começa a ser negociado ou quando o risco parece maior do que era no plano. A ganância aparece quando o plano já foi cumprido, mas o trader quer “mais um pouco”, quando a saída é adiada para tentar extrair tudo do movimento ou quando o ganho passa a justificar o abandono da regra.
O ponto central do livro não é eliminar essas emoções. É aceitar que elas vão aparecer e estruturar a execução para que não comandem as decisões. Medo e ganância não são falhas morais. São reações naturais quando há dinheiro real em jogo.
Escalar a favor, não contra
Uma das ideias mais técnicas — e menos usuais para iniciantes — do livro é a forma como Hougaard constrói posições. Ele não escala contra o mercado tentando “melhorar preço”.
Ele só adiciona posição quando o mercado anda a favor. Isso altera completamente a lógica de risco.
O risco inicial é limitado, novas entradas só ocorrem com confirmação e o mercado “paga” pelo aumento de exposição.
Escalar contra exige esperança. Escalar a favor exige disciplina operacional.
O aumento de risco nunca acontece em cenário desfavorável, o que reduz drasticamente o impacto emocional da decisão.
Não parar apenas porque o dia começou mal
Outro ponto pouco convencional do livro é a forma como Hougaard encara o chamado “stop do dia”. Ele não vê valor em parar automaticamente só porque houve erro ou perda no início do pregão. Isso não significa operar sem limites, mas sim não confundir disciplina com desistência emocional.
A analogia usada por Hougaard é clara. Um atleta não abandona o jogo porque errou no começo. Ele precisa continuar jogando e dar o seu melhor até o fim da partida. Se o plano ainda é válido e a execução continua correta, o trabalho não termina só porque o dia começou mal.
Parar porque o risco foi violado é disciplina. Parar apenas porque houve desconforto pode ser outra coisa.
Um olhar de atleta de alta performance
A forma como Hougaard enxerga o trading se aproxima muito mais da mentalidade de um atleta de alta performance do que da de um operador que busca neutralidade emocional. Não é sobre acertar mais, sentir menos ou confiar em intuição. É sobre executar sob pressão, respeitar limites claros e repetir processos corretos, mesmo desconfortáveis.
Um atleta não decide regras durante a prova. Ele define tudo antes e executa quando importa.
No trading, isso se traduz em risco definido previamente, perda aceita antes da entrada, regras claras de escala e execução simples e repetível.
Alta performance não é emocional. É estrutural.
Hougaard não é Mark Douglas — e isso importa
É importante destacar que o perfil de trader descrito por Hougaard é bem diferente daquele apresentado em Trading in the Zone, de Mark Douglas.
Em Douglas, o foco está na neutralidade emocional, no desapego do trade individual e na aceitação estatística dos resultados. Já em Hougaard, a emoção não é neutralizada, o desconforto é aceito e a execução acontece apesar da pressão.
Douglas descreve um trader que busca não reagir emocionalmente. Hougaard descreve um trader que opera mesmo reagindo, mas sem permitir que isso altere o plano.
Nenhuma abordagem invalida a outra. Elas exigem perfis diferentes. O erro não está em seguir Mark Douglas ou Tom Hougaard. O erro está em tentar operar como um, tendo o perfil do outro.
O que o livro não resolve
The Best Loser Wins não ensina setups, estratégias, técnicas de entrada ou ferramentas de execução. Ele não corrige erro operacional nem substitui método.
O valor do livro está em outro nível. Ele mostra como um operador experiente se relaciona com dor, pressão e incerteza, sem romantizar o processo.
Sem estrutura, processo e ferramentas adequadas, as ideias do livro tendem a ficar apenas no campo conceitual.
Considerações finais
Enxergar o trading como uma atividade de alta performance muda a pergunta central. Em vez de perguntar “como ganhar mais?”, a questão passa a ser: como executar corretamente sob pressão, de forma consistente?
É nesse ponto que The Best Loser Wins se destaca. Ele não promete conforto, atalhos ou controle emocional absoluto. O que ele exige é preparo, clareza e aceitação do custo operacional de participar do mercado.
Perder bem, no fim das contas, não é psicológico.
É uma habilidade de execução.
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